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23 de Outubro de 2019

Quem chora pelo menino sírio Aylan Kurdi?

Carlos Eduardo Rios do Amaral, Defensor Público
há 4 anos

Quem chora pelo menino srio Aylan Kurdi

O mundo amanheceu chocado com a imagem do pequeno menino sírio Aylan Kurdi, de três anos, encontrado morto em uma praia da Turquia. A imagem se tornou uma das mais representativas da dramática crise migratória na Europa, ocasionada pelos conflitos armados no Oriente Médio, principalmente na Síria.

Nilüfer Demir, a fotógrafa que registrou as imagens do corpo de Aylan na praia da Turquia, disse: “a única coisa que eu poderia fazer era tornar seu clamor ouvido. Naquele momento, eu pensei que poderia fazer isso ao acionar minha câmera e fazer sua foto”. E foi o que aconteceu. O mundo voltou-se para o pequeno Aylan Kurdi.

A cada instante que as ondas da praia tocavam a face do menino Aylan, firmada na areia, era como se o mundo fosse castigado pela sua omissão, condenado por sua iniquidade. A imagem parece muito bem resumir o quanto distante estamos do respeito e da preservação da dignidade da pessoa humana.

A imagem do pequeno menino sírio conduz a Organização das Nações Unidas, seu Conselho de Segurança e sua comunidade de Países, inclusive as grandes potências mundiais, para o período paleolítico, para um mundo inferior nos subterrâneos da Terra de que nos fala a mitologia grega.

A desigualdade social e às injustiças do sistema que dominam o mundo triunfam. Em 5.400 anos de história da humanidade, desde a invenção da escrita, ainda não aprendemos a viver no planeta, não aprendemos a amar e conviver em fraternidade com o nosso semelhante. Tudo que sabemos fazer até o presente é acumular riquezas e bens materiais, consumindo todos os recursos naturais da Terra, sempre deixando para trás um rastro de poluição e destruição generalizadas.

O pequeno Aylan Kurdi nos fez ter a sincera e última impressão de que tratados e convenções internacionais não passam de um nada, que as fronteiras entre as Nações são meras trincheiras delimitadoras de territórios de um pequeno grupo de senhores que entendem que são os donos do planeta. Afinal, Aylan não poderia estar na Síria, sua terra natal, nem na Turquia, nem na Europa, nem em lugar algum. Nos termos do acordado pelos poucos senhores do planeta, o pequeno Aylan Kurdi deveria mesmo é estar morto.

E sem dar um segundo sequer de chance à paz no mundo caminha a humanidade. Embalada para nossa destruição final. Quem diria, mas que ironia, a forma de vida dominante no planeta ser a autora de seu próprio apocalipse e de todas as outras espécies.

Nos encontraremos, pobre Aylan Kurdi. Tenho certeza que, onde estiver, está em paz, irradiando e contaminando os bons e justos com sua alegria própria de uma pequena e inocente criança.

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Carlos Eduardo Rios do Amaral é Defensor Público da Infância e da Juventude no Estado do Espírito Santo

48 Comentários

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Prezado Carlos, parabenizo pelo conteúdo.

Em resposta ao seu texto, eu, você, pessoas de bem, choraremos por tantos e quantos Aylan Kurdi (S) morrerem nesta guerra nefasta.
Vendo a matéria pelo jornal televisivo, juntamente com minha família, tecemos comentários, de todas as formas, confesso, um pouco de odiosidade, por aqueles que cometem atrocidades em nome da fé a um povo sofrido.
Há quem defenda que devamos respeitar religião e princípios alheios, mas com uma cena dessa, fica muito difícil meu caro, o tal respeito.
Cordial abraços continuar lendo

"Há quem defenda que devamos respeitar a religião e princípios alheios, mas com uma cena dessa fica muito difícil meu caro, o tal respeito"

"Pessoas de bem", é isso?

O negócio é o radicalismo, não a religião em si. continuar lendo

Ricardo não é uma questão de respeitar a religião, o problema é que a religião existe e se você tentar combater a religião ela só vai se tornar mais forte e mais agressiva. A radicalização islâmica é uma coisa recente, começa a acontecer a partir da criação do estado de Israel e ganha força a partir dos anos 80 com o patrocínio do Talibã pelos EUA. Se não entendermos que ao combater uma religião você só enfraquece os moderados e fortalece os radicais nada disso irá mudar, é assim aqui, olha como os setores ditos evangélicos estão cada vez mais radicais em seus posicionamentos e atitudes. continuar lendo

E a mulher de 1,81 cms de altura chorou como criança... Desabando nos ombros do amoroso esposo, pude sentir a dor da família enlutada.

O mundo chora e lamenta a perda do pequeno Aylan.

Que Deus, em Sua infinita bondade, cubra a família enlutada com toda a sorte de bênçãos espirituais nos lugares celestiais. continuar lendo

Bom ressaltar que ele é mais um dos milhares de Aylans que morreram após serem expulsos de seus lares em decorrência de uma guerra irracional orquestrada e organizada pelas grandes potências, potências que treinaram e armaram grupos "moderados" para derrubar o governo da Síria. mas esses grupos se "desmoderaram" e acabou por se tornar o Estado Islâmico, filhote de uma geopolítica desastrosa que já havia nos dado o Talibã alguns anos antes (basta lembrar que no filme Rambo 3 os talibãs eram os mocinhos da história).
Infelizmente ele foi apenas mais um dos milhões de peões sacrificados em uma partida de xadrez global macabro jogada por jogadores cujo objetivo é o lucro rápido em detrimento das pessoas que caem vítimas de suas ambições. O Estado Islâmico surgiu dos grupos treinados e armados pela UE para depor o Kadaffi e dos grupos treinados e armados pelos EUA para derrubar o Saddam e se tornaram o "inimigo da vez", mas nessa partida de xadrez global todos eles, vítimas e algozes, são descartáveis, daqui a pouco aparece um "novo vilão" a se combater. continuar lendo

Primeiramente gostaria de saber quem está fornecendo armas, munição, veículos, helicópteros, etc senão o ocidente?
Existe um risco que os fugitivos do extremismo são na maioria muçulmanos que ao chegar em nova "pátria", e constituírem sua comunidades não tardarão a querer impor sua crença. Como ja disse Kadafi: Para o islã dominar a Europa não precisa espada, a imigração fará isso. continuar lendo

Triste demais a história desse menino!
Não apenas ele, mas outros milhares estão sendo massacrados na Síria e no Iraque pelo Estado Islâmico.
Há o problema de alguns países europeus estarem rejeitando a entrada em massa desses imigrantes que estão fugindo para tentarem salvar as suas vidas.
Mas o problema central é o Estado Islâmico que, até agora, não sei porque os EUA e a OTAN não se uniram para combater/destruir esse bando de loucos psicopatas que estão barbarizando no Oriente Médio. continuar lendo

Porque o Estado Islâmico surgiu da atuação dos EUA e da UE no Oriente Médio e norte da Africa. Originalmente os membros do EI começaram como milicias treinadas e armadas pelas potências ocidentais que queriam derrubar Kadaffi na Líbia, Assad na Síria e Saddam no Iraque, depois que conseguiram tirar o Kadaffi os que lutavam na Líbia foram pra Síria, se uniram as milicias iraquianas e criaram o ISIS que por sua vez se tornou o Estado Islâmico. Se o EI é o que é hoje é graças a atuação das potências ocidentais de tentar impor sua política em uma região que é um verdadeiro campo minado. continuar lendo

É ... duro reconhecer que o problema começa no Partido Democrata ... continuar lendo

O problema vai muito além do partido democrata ou republicano americano, tem a ver com a visão de mundo que os EUA tem. Não vamos nos esquecer que muito da confusão no Oriente Médio hoje começou com a criação do Estado de Israel (graças ao fortíssimo lobby judaico nos EUA) e o golpe patrocinado pela CIA em 1953 no Irã. A causa da confusão no Oriente Médio é apartidário. continuar lendo